sexta-feira, 17 de abril de 2009

Fodam-se Os Espelhos.

Confesso que me preocupo com minha própria imagem, mas odeio olhar pra ela. Não suporto olhar a minha cara, ver essa maldita, dissimulada. Espelhos, eu os odeio. Não é por questão de beleza, nem porque deixei de fazer a barba, e não que isto não seja verdade, mas o que me dá medo é o que vejo no meu próprio olhar. Sabe, às vezes, quase sempre, quando estou sozinho principalmente e me coloco a pensar sobre mim mesmo, tenho medo do que posso virar, ou o que é pior, de não conseguir virar o que eu quero. Tenho medo de que minhas atitudes influenciem em coisas que me contrariem. É como se fosse um trauma que me persegue. Nos encontramos quando me olho no espelho, eu e o trauma. Meu rosto, cara de ressaca, me diz que estou errado. Não sei em relação a quê, mas entramos em uma briga. Eu nunca a venci. Outro dos meus grandes e piores defeitos é o egocentrismo. Sou tão egocêntrico, e agora apresento mais um problema meu com os espelhos, que quando olho minha própria imagem tenho inveja dela. Não suporto, é como se eu desafiasse a mim mesmo. É como se eu quisesse tanto ser bom que precisasse acabar comigo mesmo para isso. Mas bem, isso não é o mais relevante ultimamente. Podem dizer que estou em uma fase depressiva, quem me conhece realmente sabe que isso não é verdade. Estou num dilema, num conflito existencial, já comentei disso dias atrás. Isso não é sinônimo de depressão. Não desejo me matar nem me isolar da sociedade, afinal, já passei por coisas piores. Estou a procura de um eu fixo, já falei disso também, mas agora aprofundo no assunto. Descobri algo que revolucionou minha vida, ontem. Acordar a cada dia pensando diferente é sensacional, e eu não preciso mudar minha personalidade pra isso. Ser assim abre um atalho para meu destino. A questão é que tenho encontrado a felicidade interior, apesar de me assustar com ela. Deixo rolar, o tempo passar, e de repente, algo novo surge. Uma mutação mental. Dizem que toda mudança vem pro bem, assim, devo estar me tornando uma pessoa boa, e ter este título deve me ajudar, o problema é que muitas destas mutações me assustam, pois nunca imaginei que seria assim. Só o que posso fazer é aceitar de bico calado. O engraçado é que temos uma fase na vida em que nos esforçamos ao máximo para sermos alguém diferente de nossa natureza, mas com o tempo baixamos a bola e simplesmente aceitamos ser o que realmente somos. Só tenho medo do que posso virar no final. Esse é meu problema com espelhos. Eu aceitei ser quem eu sou, mas meu eu não quer deixar, está puto da cara comigo. Meu ego está vazio, os espelhos que se danem. Vou dormir, estou com frio.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Esqueci O Respeito.

Estou cansado de ser pobre menino humilhado, linchado pela sociedade. Sei que é mentira, falsa hipocrisia, pseudo-revolucionário. Quero é ver o pôr-do-sol de camarote, cobertura de Leblon. Paris, Roma e Berlim. Quero conhecer o mundo, moderno, falso. Quero tocar pelos barzinhos da cidade, pra todo mundo ouvir minha opinião. E todos vão gostar, farão minha fama, minha realidade, vou ter dinheiro de montão. Eu quero carros, mulheres, apartamentos de frente pro nada. Quero casa, mansões, mansinhas mulheres mulatas. Ferozes cachorros de guarda, pra guardar o ouro e a cerveja barata. Vou economizar cada centavo pros outros dizerem que eu valorizo meu capital. E os outros, quero é que se danem, pra mim tudo é igual. Quero o mundo num mundo só. Num mundo infernal. Não ligo pras garotas, garotos, pra ninguém. Não vou pagar a conta telefônica, assim poderei dormir bem. Descansado, de lado, de bruto, de braço. De pé, na cama, deitado. De tudo o que é sentido, posição, escancarado. Olhar para o céu, ter um teto de vidro. Ver estrelas tapando os ouvidos. Quero gritar que nem um louco. Um grito de desespero, de felicidade, de raiva de quem tem pouco. Quero reclamar sem ter motivo. Ser rebelde inofensivo. Quero ser tudo o que eu nunca quis ser. Sabotar, azucrinar, arrebentar. Dançar pelado no altar de uma igreja. Correr pelado pelas ruas gritando “liberdade, liberdade”. Vou ser dono do mundo, provocar o apocalipse. Acabar com a pobreza, a riqueza, a fome, a fartura. A falta de tanta coisa e o excesso de todo o resto. Vou me divertir, olhando lá do alto, pessoas correndo, dizendo: “o que houve o que há quem é você? quem vai nos salvar?” Vou gargalhar apontado meu dedo sacana pra cara de um cara bacana. Risos diabólicos, satânicos, satíricos, irônicos, de um cara que acha graça da desgraça de vocês. Vou provocar o fim do mundo, o fim de tudo. Fim do alemão, do italiano, do português. Do espanhol e principalmente do inglês. Vou criar uma língua muda. Apagar o Sol, cobrir a Lua. Parar a Terra, beber todo o oceano. Vou derramar pinga nos sete mares e as areias se tornarão batatas fritas. Estou cagando e andando pra vocês. Digam o que quiserem, mas queiram o que disserem. Falsa hipocrisia, revolta, guerra fria. Vou acabar com tudo isso, e com todo o resto. Pra mim, vai ser como um sexo. Verbal, mundial. Vou foder com tudo. Com você, sua mãe, sua tia. Vou foder o mundo. Sem censura, sem nojo, sem sarcasmo. Tudo termina num belo orgasmo. O mundo agora é meu. O mundo já se fodeu. E agora me pergunto que porra é essa. Se essa porra foi coisa minha. O mundo acha que agora é festa. Já chega, já cansei. Estou exausto, cansado de ser pobre menino humilhado, linchado pela sociedade. Maldita sociedade, moderna. Mundinho de merda, esporrado, fodido. Merda de mundo perdido.


Nesse texto, fui inspirado pelo "Monólogo" de Chico Anysio.
Confiram o vídeo do "Monólogo" clique aqui.

Vale muito a pena conferir!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Dilema. Fidelidade Eterna.

“vejo agora que estou condenado a uma morte lenta e asfixiante. E estou tentando entender o porquê. É claro que tenho inveja. Por que a minha vida não é assim? É claro que quero o dinheiro deles, suas roupas, empregos, opiniões... E gostaria que me dessem dicas sobre a vida social. Mas não é isso. Quer dizer, eles não são más pessoas, não sou um classista. É outra coisa. E aí me caiu a ficha.” Reconstrução constante. Cada dia que passa, passa um de mim. Sentado num banco, em frente a uma varanda qualquer da vida, vejo vários eus passarem por mim. Reconstrução constante. Nós nascemos com personalidade traçada, sempre fui contra isso e agora defendo. Oh céus, o que virei? Um monstro devorador de pensamentos próprios. Reconstrução constante, ou melhor, um eu inconstante. Por toda a minha vida quis ser uma pessoa, e em uma semana eu sou várias pessoas totalmente diferentes do meu modelo. Minha mente é um dilema. Maldito dilema. Eu morro e nasço. Acredito agora em reencarnação, mas no meu próprio corpo. Olho no espelho e não me reconheço mais. A preguiça vence a vaidade, meu rosto adquire pelagem, meus olhos se fecham, amigos me esperam... Amigos, sei lá, eles também mudam. Preciso conhecer gente nova, pra me tornar um eu fixo. Então meus amigos não precisarão conhecer um eu diferente a cada dia. Reconstrução constante. Pensamento inconstante. Minha mente é um dilema e não decifrá-lo é meu lema. Enfim, sem mais delongas, longas tolices, declaro que de agora em diante me tornarei um ser de temperamento fixo. Estou farto de invejar atitudes de pessoas que conseguiram uma personalidade. Não sei o que dizer, não sei mais o que ser, não tenho mais o que fazer. Minha mente é um dilema, e não decifrá-lo é meu lema.