quinta-feira, 31 de julho de 2008
Alguém Me Drogue.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
A Primeira Globalizada
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Aos Companheiros De Férias.
sábado, 26 de julho de 2008
A Realidade Ilustrada.
Acordei ontem ao lado de minha inspiração. Eu disse que ela voltaria. Porém, ela não estava pra conversa. Ficou ali, no canto,
quinta-feira, 24 de julho de 2008
A Fuga.
Por um momento de distração, eu devia estar ocupado com alguém ou alguma coisa que passou por aqui, ou de repente cantando algum refrão idiota, mas o que me preocupa, ou deveria me preocupar, é que perdi minha inspiração. Ela deve estar perdida em algum lugar no meu quarto. Com essa desorganização toda, não era de se esperar. Aqueles livros que eu tinha deixado no chão agora sumiram. Minhas roupas de domingo, estavam embaixo da cama, não estão mais. Malditos desorganizadores. São pagos pra limpar o lar semanalmente e fazem essa zorra toda. Onde já se viu um guarda-roupas com espaços vagos! Devem ter sumido com alguns de meus bens. As calças e camisas todas dobradas, deve ser alguma estratégia de disfarce. Eles não me enganam. Mas enfim, se eu fosse minha inspiração onde me esconderia? Alguns poetas costumam dizer que a inspiração faz o poeta, outros que eles são a própria inspiração. Mas que idiotice ficar definindo a inspiração. Serei idiota também. Pra mim a inspiração apenas acontece. É algo que anda com a gente e de vez em quando resolve conversar. Infelizmente a minha fugiu. Ela deve estar aqui, tem que estar aqui. A porta estava fechada, a janela também. Chove lá fora, graças a deus só lá fora, ela não sairia. Mas não entendo por que diabos minha inspiração fugiria de mim. Anos andando juntos, quantas coisas vivemos. Ela vai voltar, tenho certeza. Vou deitar agora, tentar dormir. Acordar amanhã e vê-la novamente, voltar à vida normal.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Aqueles Que Odeio.
Deus salve as férias, mas a monotonia é coisa do capeta. Já esgotei todos os meus hobbies e diversões. Já destruí minhas apostilas, meus cadernos, minhas idéias. Já devorei todas aquelas vacas mortas da geladeira. Meus dias não têm sido dos melhores e o de hoje até foi mais curto, aliás, muito mais curto e por conseqüência, aquela noite sem fim. Se alguém leu meu último dia entenderá a dificuldade pra dormir e o medo de acordar. Não vejo a hora de tudo voltar ao normal, acordar pra ir pra escola e chegar atrasado, ver as mesmas pessoas e fazer as mesmas piadas sem graça. Ver como anda o mundo aí fora. Ver aquelas pessoas loucas que colocam seus horários acima de suas próprias vidas. Horários, odeio eles. Quando preciso das horas acabo as perdendo, e quando não necessito delas elas não passam. Incrível, elas não devem gostar de mim. Sempre que alguém resolve marcar aquele encontro, compromisso, marcam um horário. Aí começa o desespero. Chega o dia e acordo, tomo um banho, roubo alguma coisa da cozinha e, sempre, quando saio para pegar minha condução a vejo passar por mim e levar consigo minha pontualidade. Meus motoristas não costumam passar no horário, e quanto mais cedo eu passo, mais eles pisam em seus aceleradores. Então me obrigo a esperar o próximo e aí começa o outro desespero. Chuto pedras, ouço música, sento, levanto, deito, rolo, chuto pedras, canto, danço, chuto pedras. O horário não passa. Maldito horário. Deve estar tomando um café com o motorista. Hum. Pensando bem, talvez seja uma conspiração deles. Conduções fora de horário, horários fora do tempo. Vou investigar. Contra os horários eu tenho as palavras: estou aqui escrevendo em plena uma hora da madrugada. Uma hora da madrugada?! Me perdi no tempo. Me perdi no horário. Horários, odeio eles. Quem os criou deve morrer. Já morreu? Mereceu!
A Segunda Morte, Literal E Inesperada.
Você sabe o que é mandar uma pessoa pro inferno? Foi demais. Não convém eu dizer nomes ou lugares, mas saiba que me arrependi de ter feito isto. É apenas uma metáfora, nem me lembro o que é metáfora. É apenas uma expressão, coisas que dizemos quando o sangue ferve. Não é algo pra ser levado ao pé da letra. Tudo bem que eu o odiava e esse é o problema agora, eu ODIAVA. Era um dia normal pra mim, ou pelo menos deveria ser. Eu andei nas mesmas ruas, fiz as mesmas coisas, vi as mesmas pessoas, entre elas: ele. Lembrando de nossas brigas e desentendimentos e sabendo que iria dar problema se passasse perto dele atravessei a quadra, passei longe. Eu sentia o clima estranho, como eu disse: ERA um dia normal. Eu vi dois dos amigos dele vindo em minha direção, mantive em alerta, eu sempre fui avisado das intenções deles. Cheguei ao meu ponto final, não era muito longe. Passaram por mim três sujeitos com pinta de assassino, mas poderia ser paranóia. Eu vi o movimento, o clima pesou mais. Houve talvez um sexto sentido, apesar de eu não acreditar nestas coisas e creio que ele também, mas pressentia que algo de ruim ia acontecer. Pior, sexto sentido não funciona, o ruim já tinha acontecido. Naquele momento em que eu me coloquei em alerta com as vítimas e por um momento passei a ser culpado também. Naquele momento em que titulei assassinos como objetos paranóicos e nada fiz. Entrei em meu ônibus e continuei meu caminho sem nada saber, mas uma ligação amorteceu minhas pernas e gelou meu coração. Mas de que importa agora dizer como ocorreu? Não importa. Erramos durante o passado, quando ainda podíamos errar. Eu ainda escrevo aqui, sem entender o que sinto, sem ter palavras pra dizer. Eu penso hoje, tudo bem, nos odiávamos, e não entendo porque alimentamos isto por tanto tempo, mas antes de inimigos éramos amigos. Eu lembro do dia que começamos a conversar. Um dia de bebedeira, onde nossas opiniões políticas não importavam. Neste dia conhecemos um ao outro como pessoa. É incrível pensar que um tempo depois, por besteira, opiniões opostas, plantamos o ódio de um em relação ao outro. Incrível pensar que deixávamos a vida passar e acabar assim. E apesar de tudo, eu sinto, sinto muito. Por ele, pelos seus amigos, os mesmos meus amigos, pela sua família, pelos seus ideais, ideais que apesar de serem contrários aos meus eram ideais, eram válidos e também miravam um mundo melhor. E quero agora que se dane esse texto. Vou falar diretamente pra você. Não pra você que está lendo essas palavras medíocres, mas pra você meu inimigo amigo. Quero te pedir desculpas por ter falado tanto sobre ti. Lembra que um dia eu disse que você morreria em minhas mãos? Agora se vai ali do meu lado, praticamente nos meus braços. Quero te pedir desculpas por não ter feito nada com teus assassinos, mas prometo que se um dia tiver a chance de vingar-te, vingar-te-ei. Ah, mundo desgraçado. Não queiram saber o que é mandar alguém ir pro inferno e ver tal, no dia seguinte, indo realmente.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
A Segunda Vida. E O Destino De Minha Gula.
Hoje voltei à vida mais ou menos ao meio-dia com o barulho do telefone. Que barulho infernal. Os despertadores deveriam ser proibidos, assim como aqueles vizinhos que adoram nos acordar do sono eterno. Bem, minha noite de morte foi consideravelmente boa, mas a vida não mudou mesmo. Estava eu fazendo meu almoço, acompanhado de minha fome e gula, quando uma menina aos maus trapos bate à minha porta. Se eu fosse qualquer destes robôs globalizados abastecidos pelo dinheiro a mandaria embora aos chutes, mas, como havia acabado de morrer socialmente, preferi ficar ali. Ela gastou alguns preciosos segundos da vida dela me dizendo algo que eu não prestei atenção devido à ressaca da noite passada, algo como irmãos cachorros que soltam gases, ou, o que seria mais estranho, irmãos menores que estão com fome, mas isso não vem ao caso. Ainda em meu estado vegetativo virei minhas costas para ela, mas mantive a porta aberta, e me dirigi até a cozinha. De dois em dois passos me virava pra ter certeza que ela ainda estava ali. De dois em dois passos ela me olhava com olhos vermelhos cheios de água. Quando cheguei à cozinha, estavam postas à mesa minha fome e minha gula. Sem nem perguntar agarrei algumas tigelas de porte médio e puxei comigo minha gula, a fome ficava, a menina não precisava dela. Coitada, minha gula era tanta que a garota ficava desajeitada. Fechei a porta de meu canil e voltei ao meu precioso café da manhã em horário de almoço. Em um flash de memória que minha fraca mente forçou-me a ver lembrei-me daquele compromisso de engravatados que vestem all-star. Meia hora pra me arrumar, não era muito tempo. Deixei minha fome pela metade e me tornei apresentável. Vi que era tempo de correr atrás de minha condução e a perdi quando algo me chamou mais a atenção. Ali, na beira da rua de minha casa, deparei-me com minha gula jogada às traças, esparramada pelo chão. As tigelas que a acompanhavam devem ter fugido. A garota, nem sinal. Acho que vi alguns cães por perto, por um momento pensei que seriam os irmãos da tal, mas não, ela não parecia um canino. Droga! Perdi meu ônibus, agora me dei conta. Maldito mundo dos horários, odeio eles. Sem problemas, espero aqui. O difícil é ficar ao lado dos restos, nem tão restos, mortais da minha querida gula. Ah, gula, terá você ido para onde agora? Estaria feliz se tivesse tido seu merecido fim: o paraíso estômago da criança faminta.
A Primeira Morte
É engraçado ficar aqui dentro e ver as pessoas apressadas, preocupadas, estressadas com o mundo. Tudo bem. Não sejamos hipócritas. Não estaria sentado escrevendo aqui, gastando meu tempo inútil, se não estivesse estressado, indignado com alguma coisa. Pois bem, minha indignação é com tudo, inclusive comigo mesmo. Nem preciso explicar, não tenho paciência pra tanto, mas só escrevo pra dizer que hoje decidi morrer. Também, não quero morrer com um tiro na cabeça, tomando veneno, pulando de um prédio ou desses jeitos clichês. Estou cansado desse mundo nada original. Até porque, meu suicídio é outro: meu suicídio é social. Não me diga que nunca ouviu isso e aí vir me taxar de louco, não, não caio nessa, eu mesmo retirei esse termo de um outro autor. Ops! Onde foi parar minha originalidade? Ah, que se dane. Um a mais, um a menos. Grande diferença! Mas é complicado, como vou mostrar minha indignação agora, diante desta auto-contradição. Sei lá, nem meu português, meu próprio idioma, eu não acerto hoje. Mas espera um pouco, se o idioma é meu eu digo quando ele está certo e quando ele está errado. Droga. Fico cada vez mais confuso. Enfim, não vamos confundir mais, caro leitor. Aliás, se é que existe leitor. Vamos logo falar de minha morte. Suicídio social, pra quem nunca ouviu... IGNORANTE! Pois é, a maioria das pessoas diz essa palavra sem nem saber direito seu significado. A questão é que eu cansei, estou exausto disso. Viver nesse mundo fútil, fétido não é legal. Vou mesmo é me matar. Tudo programado. Vou morrer por volta de meia-noite, pra poder assistir algum programa do horário nobre. Aí eu permaneço morto, claro. Nem quero velório, nada dessas frescuras. Até porque, minha morte não é eterna, qualquer dia desses eu vivo de novo. É só pra descansar um pouco de toda essa pressão. Não é fácil viver aqui, trancado. Não é fácil viver assim, socialmente insociável. De barriga cheia e insaciável. Mas veremos como fica quando eu voltar. Penso apenas se isso aqui vai ficar trancado enquanto eu estiver fora. Ah! Devo-lhe desculpas. Por favor, me perdoe. Deve estar se perguntando onde eu estou trancado desde o início deste texto e a culpa é minha de não descrever. Pois bem, não é um quarto, uma caixa, um caixão ainda ou mesmo uma prisão, apesar de que o último até que cairia bem. Aqui nada mais é do que minha mente.
