“vejo agora que estou condenado a uma morte lenta e asfixiante. E estou tentando entender o porquê. É claro que tenho inveja. Por que a minha vida não é assim? É claro que quero o dinheiro deles, suas roupas, empregos, opiniões... E gostaria que me dessem dicas sobre a vida social. Mas não é isso. Quer dizer, eles não são más pessoas, não sou um classista. É outra coisa. E aí me caiu a ficha.” Reconstrução constante. Cada dia que passa, passa um de mim. Sentado num banco, em frente a uma varanda qualquer da vida, vejo vários eus passarem por mim. Reconstrução constante. Nós nascemos com personalidade traçada, sempre fui contra isso e agora defendo. Oh céus, o que virei? Um monstro devorador de pensamentos próprios. Reconstrução constante, ou melhor, um eu inconstante. Por toda a minha vida quis ser uma pessoa, e em uma semana eu sou várias pessoas totalmente diferentes do meu modelo. Minha mente é um dilema. Maldito dilema. Eu morro e nasço. Acredito agora em reencarnação, mas no meu próprio corpo. Olho no espelho e não me reconheço mais. A preguiça vence a vaidade, meu rosto adquire pelagem, meus olhos se fecham, amigos me esperam... Amigos, sei lá, eles também mudam. Preciso conhecer gente nova, pra me tornar um eu fixo. Então meus amigos não precisarão conhecer um eu diferente a cada dia. Reconstrução constante. Pensamento inconstante. Minha mente é um dilema e não decifrá-lo é meu lema. Enfim, sem mais delongas, longas tolices, declaro que de agora em diante me tornarei um ser de temperamento fixo. Estou farto de invejar atitudes de pessoas que conseguiram uma personalidade. Não sei o que dizer, não sei mais o que ser, não tenho mais o que fazer. Minha mente é um dilema, e não decifrá-lo é meu lema.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
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