Começo hoje, caro amigo, desculpando-me. Não me ajoelharei, implorar muito menos, mas tenho o dever de dar-lhe explicação. Minha ausência mais uma vez é justificável. Por várias vezes sentei aqui e tentei falar-te, mas a inspiração mais uma vez estava longe. Eu a chamava e ela fingia que não me escutava, coisa mais infantil. Porém, ignorei-a muitas vezes, mesmo ficando incomodado com seu estado. Forcei que minhas idéias passassem a ser palavras para que pudesse reparti-las com você, mas sem a ajuda da inspiração, maldita inspiração, meu talento se enfraquece. As idéias eram boas, fundamentadas, enlouquecidas e sempre reais, mas elas mesmas brigavam contra mim em protesto ao estado depressivo da inspiração. Eu não tinha culpa, sempre disse isso. É coisa dela, menina louca, insistindo em escrever-te. Logo vi que não era isto que merecia, colega. Se tens a bondade de vir aqui escutar minhas baboseiras devo-lhe respeito e, sobretudo, fidelidade. Percebi que não merecias aqueles textos vomitados, de um escritor qualquer como eu. Minha mente aqui foi enchendo de coisas do cotidiano que imploravam para serem escritas, porém dizia-lhes eu que não faria, jamais, um discurso sem meu braço direito: a inspiração. Não que a promessa seja cumprida. Existe a grande chance, leitor já entediado, de não gostar de ler isto. Digo-lhe que não é deste que eu quero que goste, pois é vergonha de minha parte desculpar pela escrita. Meu dever é agradar-te sempre, pois se tem a coragem de vir aqui sou teu servo. Servo escritor, meu caro. Serei fiel daqui em diante, mas peço-lhe compreensão de que esta fidelidade não é seguida a risca por minha inspiração. Continuarei tentando mudar as idéias desta teimosa, mas entenda que nas muitas ausências minhas não é despeito, senhor, mas espera de te entregar a jóia mais perfeita.
domingo, 10 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Aquilo Que Querem Que Eu Seja.
Mesmo eu tendo minha opinião formada sobre meu futuro, o que deveria ser o mais importante, esta vida é minha e eu cuido dela, muitas pessoas, a maioria delas, insiste em querer mudar meus rumos. Não vou mudar. Talvez mude, mas tem que ser por uma decisão minha não pelo que os outros me dizem. A cada pessoa que digo o que pretendo fazer ouço aqueles discursos capitalistas que dizem que não terei um bom futuro financeiro, meu trabalho não dá dinheiro e isto quando o consideram um trabalho. Não vou ser influenciado por isto. Não me importo com o dinheiro, quero o possível pra viver, já disse, mas me importo com as boas conseqüências que meu serviço deixará. Eu não entendo porque as pessoas acham que todos têm que pensar como elas. O mundo não seria um mundo se fosse formado por médicos, engenheiros e advogados, é preciso muito mais que isso. Cada um tem seu valor fazendo aquilo que faz. Qualquer trabalho, desde que seja bem feito, deve ser valorizado. Cada serviço, por menor que seja tem sua contribuição para a sociedade. Talvez queiram apenas que eu seja só mais um por aí, um ser sem consciência ou racionalidade para que possam fazer o que quiserem comigo, mas não, comigo não. Eu vou mudar tudo isso. Passarei por cima desta realidade, meus planos já estão traçados. Escrevi tudo em minhas paredes, no modo mais arcaico. Vocês são tão globalizados que não irão entender.
sábado, 2 de agosto de 2008
Aquilo Que Quero Ser.
Desde que soube o que era uma profissão passaram por minha cabeça milhões de possibilidades que poderiam vir a ser minha ocupação. Desisti de praticamente todas por motivos um tanto quanto superficiais, talvez fúteis, como não querer estudar por tanto tempo ou não querer trabalhar dentro do protocolo. Eu odeio protocolos. Abrirei minha campanha, algum dia, de quebra de protocolo. Não entendo o porquê de um advogado, por exemplo, ter que exercer sua função na forma apresentável, no terno e na gravata e naquele sapato caríssimo. Quebra de protocolo, porque não somos nossa aparência, mas sim o que pensamos e o que fazemos. Existem protocolos que são regras claro, tudo têm sua excessão, nunca lembro como escreve isso, como, por exemplo, um médico. O vestuário de um médico é a roupa branca, mas claro, questão de higiene, vai além de protocolo. Portanto não me importo agora com o dinheiro que vou ganhar, tendo o necessário para me sustentar e poder pegar um cinema com minha garota nos finais de semana está perfeito. Não me importo com reconhecimento, óbvio que dentro do meu local de trabalho quero que reconheçam meu serviço, mas que o reconheçam pelo seu bom resultado que foi resultado do meu empenho, da minha atitude, mas essa busca pelo sucesso que as pessoas dão tanto valor é tão inútil. Não julgo que o sucesso não seja bom, mas ele é uma conseqüência do seu fazer bem feito. Faça o que você gosta e goste do que você faça, faça tal bem, do seu jeito, se empenhe e se as pessoas gostarem a fama vem ao seu encontro. Assim quero estar na minha área. Tenho diversas áreas, posso fazer uma lista, mas apenas uma delas gosta de mim tanto quanto eu gosto dela. Quero ser o domador das palavras e relator da verdade, o resto é passatempo. Quero, a partir da minha escrita, do meu afeto com a literatura ajudar a quem precisa, mostrar os problemas ocultos e brigar para que eles sejam resolvidos. Muitos dizem aqueles termos clichês do tipo falar e não fazer, mas minha atitude está nas palavras. Claro que não me resumo apenas a elas, mas o poder que elas carregam e me permitem usar é imenso e pode mudar qualquer coisa. É simplesmente egoísmo viver esta vida passageira, a minha fica em livros, dando valor ao egocentrismo. É simplesmente egoísmo viver sem fazer viver.
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