Olá, meu bem.
Chove há dias por aqui, minha vidraça está cansada de chorar. Ela tem um olhar distante, pro horizonte, como se esperasse o Sol. Por uma eventualidade, faltei ao serviço esta semana toda, e acompanhei-a no olhar esperançoso. Então víamos ao longe, o Sol sorrir, mas não se aproximava. Confinado em meu quarto, os problemas me cercaram. Fugi para os livros. Enchi meus ouvidos de algodão, ouvindo apenas minha respiração, meu sangue correndo quente e o ranger dos ossos. Minhas mãos deslizando suavemente nas páginas amareladas, costuradas por um único fio. O cheiro das páginas velhas encheu meu quarto. Flutuei. Meu grande vício. Mergulhava naquelas páginas, nadava por entre as letras. Quando tocava o fundo, me encontrava em outro mundo. Em plena França, em épocas de Revolução, algumas vezes. Outras, entre os personagens daquele romance, que leio com cuidado e leveza, sentados ao redor da lareira. Um casal. Ela é linda, me lembra você. E alucinado naquele mundo, distante daquele quarto, era interrompido subitamente por alguém me chamando. Ouvia meu nome, fraco, ao fundo, e de repente, caía num abismo. Ao me aproximar do chão, me via ali sentado, e num pulo na cadeira, vou atender à porta. Meus problemas chegaram novamente. Então os ignorei, deitei na cama, e liguei música. As notas suaves invadiam minha mente, e me faziam, mais uma vez, flutuar, sonhar com você. Tudo acabava em samba...
Fiel e eterno...
