Meu romance platônico.
Tenho andado distraído, desligado, meio down. Não sei descrever exatamente o que é. Já perdi a conta de quantas vezes tropecei nas calçadas da cidade, talvez por pressa, talvez por pensar em você. Quantos motoristas me amaldiçoaram e buzinaram desesperadamente para que eu saísse da frente, durante as minhas distrações e negligências ao ignorar os homens vermelhos que piscavam loucamente do outro lado da rua. Demorei algum tempo para achar palavras pra te dizer, em meio a tantas cartas que escrevi e não mandei, perdidas no meu quarto, preenchendo os vãos do guarda-roupa de portas brancas. Cobriram as janelas, emperraram a porta e têm sido meu calor nos dias de frio. Quantas, e tantas vezes te quis e te odiei. Todos os dias que decidi te esquecer e escrevi pra me redimir, pra conversar, me acalmar. Não sinto meus pés no chão, minha overdose de ódio, stress e melancolia me levaram voar por aí. Como dentro de uma bolha de sabão, meus problemas foram se afogando, meus prazeres retornaram. Devo lhe contar isso, pois, tomas parte de meu tempo. Durante minhas semanas, me distraía com a correria do cotidiano, mas, precisavas ver quanta aflição nas noites de sexta-feira. Minha cabeça se enchia de drogas, drogas estas, pensamentos indesejados que incluíam você, minha família, meu trabalho e a preocupação com meu futuro. Terminava as noites nas já conhecidas mesas de bar. Conheci alguns garçons, o Pedro e o Altair receberam até gorjeta. A que ponto cheguei. Mas saiba, meu bem, que te afogava nas doses de álcool, não possuí mais ninguém. Então voltava para casa. A pressão de todos sobre mim, todos os infortúnios, meus escrúpulos, tomavam maiores proporções, graças à cabeça já cansada de pensar. E mergulhava nos livros. Às 14h00min nos sábados, logo após acordar. Só encerrava ao fim de domingo. As semanas seguiram assim, um círculo repetente. Cada convite negado por você me levava a mais uma dose na sexta-feira. Cada reflexo disto à mais páginas dos meus autores prediletos. Trancado na fortaleza de meu quarto, meu mundo particular, continuei a repetir este processo. De qualquer maneira, sabes bem o quanto insisti para poder te mostrar o quanto gosto de você, e ao desistir percebi: o círculo repetente se viciou. Vá, meu bem, siga teu caminho. Querida e indesejada dona de meu coração, princípio de minha mais nova loucura. Continuo meu vício, encontrei o prazer do sossego nas páginas velhas de meus livros de cabeceira. Com medo do futuro e com desejo de viver, sigo viciado no meu círculo vicioso.
Te escreverei mais.
"Vai passar esse meu mal-estar, esse nó na garganta. Deixa estar. O próprio tempo dirá: água demais mata a planta." - Minha Filosofia/Casuarina

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