Estou cansado de ser pobre menino humilhado, linchado pela sociedade. Sei que é mentira, falsa hipocrisia, pseudo-revolucionário. Quero é ver o pôr-do-sol de camarote, cobertura de Leblon. Paris, Roma e Berlim. Quero conhecer o mundo, moderno, falso. Quero tocar pelos barzinhos da cidade, pra todo mundo ouvir minha opinião. E todos vão gostar, farão minha fama, minha realidade, vou ter dinheiro de montão. Eu quero carros, mulheres, apartamentos de frente pro nada. Quero casa, mansões, mansinhas mulheres mulatas. Ferozes cachorros de guarda, pra guardar o ouro e a cerveja barata. Vou economizar cada centavo pros outros dizerem que eu valorizo meu capital. E os outros, quero é que se danem, pra mim tudo é igual. Quero o mundo num mundo só. Num mundo infernal. Não ligo pras garotas, garotos, pra ninguém. Não vou pagar a conta telefônica, assim poderei dormir bem. Descansado, de lado, de bruto, de braço. De pé, na cama, deitado. De tudo o que é sentido, posição, escancarado. Olhar para o céu, ter um teto de vidro. Ver estrelas tapando os ouvidos. Quero gritar que nem um louco. Um grito de desespero, de felicidade, de raiva de quem tem pouco. Quero reclamar sem ter motivo. Ser rebelde inofensivo. Quero ser tudo o que eu nunca quis ser. Sabotar, azucrinar, arrebentar. Dançar pelado no altar de uma igreja. Correr pelado pelas ruas gritando “liberdade, liberdade”. Vou ser dono do mundo, provocar o apocalipse. Acabar com a pobreza, a riqueza, a fome, a fartura. A falta de tanta coisa e o excesso de todo o resto. Vou me divertir, olhando lá do alto, pessoas correndo, dizendo: “o que houve o que há quem é você? quem vai nos salvar?” Vou gargalhar apontado meu dedo sacana pra cara de um cara bacana. Risos diabólicos, satânicos, satíricos, irônicos, de um cara que acha graça da desgraça de vocês. Vou provocar o fim do mundo, o fim de tudo. Fim do alemão, do italiano, do português. Do espanhol e principalmente do inglês. Vou criar uma língua muda. Apagar o Sol, cobrir a Lua. Parar a Terra, beber todo o oceano. Vou derramar pinga nos sete mares e as areias se tornarão batatas fritas. Estou cagando e andando pra vocês. Digam o que quiserem, mas queiram o que disserem. Falsa hipocrisia, revolta, guerra fria. Vou acabar com tudo isso, e com todo o resto. Pra mim, vai ser como um sexo. Verbal, mundial. Vou foder com tudo. Com você, sua mãe, sua tia. Vou foder o mundo. Sem censura, sem nojo, sem sarcasmo. Tudo termina num belo orgasmo. O mundo agora é meu. O mundo já se fodeu. E agora me pergunto que porra é essa. Se essa porra foi coisa minha. O mundo acha que agora é festa. Já chega, já cansei. Estou exausto, cansado de ser pobre menino humilhado, linchado pela sociedade. Maldita sociedade, moderna. Mundinho de merda, esporrado, fodido. Merda de mundo perdido.
Nesse texto, fui inspirado pelo "Monólogo" de Chico Anysio.
Confiram o vídeo do "Monólogo" clique aqui.
Vale muito a pena conferir!

3 comentários:
aki é mara escrever pq ninguém ve o q eu escrevo... haha
jah vi e adorei o seu texto.
Bjoo
que orgulho do meu pseudocalouro! ;D
mto bom o texto... mesmo!
beijo.
viu como não sou só eu q escrevo =]!
a intenção foi a melhor, pode ter certeza!
Postar um comentário