domingo, 7 de junho de 2009

Muito Em Terceira Pessoa.

Todas as sete noites passadas, em seu humilde quarto, número 23, no Hotel Avenida,  sentado na cama, antes de dormir, na sua silenciosa solidão, enquanto olhava vagamente para a pequenina televisão a cores, ligada em vão, nas notícias, já cansáveis, do acidente de que todos falam, pensava nela, distante. Na trilha sonora que o acompanhava, suas melhores músicas em seus fones de ouvido, descobria que as palavras significavam muito mais do que os seus próprios significados. Cada nota, cada verso, cada estrofe lhe apertava mais o peito. A saudade, sufocando sua paixão, lhe dizia pra voltar. O nome dela latejava em sua cabeça a cada dez segundos. O olhar pela janela aberta, mesmo na noite fria, mirava as estrelas, tão perto em sua sensação, que parecia poder tocá-las. Escreve em suas cartas as promessas românticas de roubar-lhe estrelas, mesmo sabendo que é impossível cumprir. Depois da assinatura, escrita já com o sofrimento e o empenho de manter seus olhos abertos. Deita devagar, como se tivesse cumprido seu dever. As cartas lhe cobrem a falta das conversas longas. Encolhido sob as cobertas, desliga a TV, e, ainda olhando através da janela, dorme aos poucos, pensando que mais um dia se passou.




E voltamos inspirados...

Um comentário:

Lucas disse...

" As cartas lhe cobrem a falta das conversas longas. "

de fato