Todas as sete noites passadas, em seu humilde quarto, número 23, no Hotel Avenida, sentado na cama, antes de dormir, na sua silenciosa solidão, enquanto olhava vagamente para a pequenina televisão a cores, ligada em vão, nas notícias, já cansáveis, do acidente de que todos falam, pensava nela, distante. Na trilha sonora que o acompanhava, suas melhores músicas em seus fones de ouvido, descobria que as palavras significavam muito mais do que os seus próprios significados. Cada nota, cada verso, cada estrofe lhe apertava mais o peito. A saudade, sufocando sua paixão, lhe dizia pra voltar. O nome dela latejava em sua cabeça a cada dez segundos. O olhar pela janela aberta, mesmo na noite fria, mirava as estrelas, tão perto em sua sensação, que parecia poder tocá-las. Escreve em suas cartas as promessas românticas de roubar-lhe estrelas, mesmo sabendo que é impossível cumprir. Depois da assinatura, escrita já com o sofrimento e o empenho de manter seus olhos abertos. Deita devagar, como se tivesse cumprido seu dever. As cartas lhe cobrem a falta das conversas longas. Encolhido sob as cobertas, desliga a TV, e, ainda olhando através da janela, dorme aos poucos, pensando que mais um dia se passou.
E voltamos inspirados...

Um comentário:
" As cartas lhe cobrem a falta das conversas longas. "
de fato
Postar um comentário