segunda-feira, 15 de junho de 2009

Nostalgia, Talvez.

“Saudades, indiferença, decadência e mau-humor”. De minha nostalgia, desde ontem e alguns dias, reaprendendo significados, reorganizando meu quarto e redescobrindo quem eu sou, foi isto que senti. “Até parece loucura, não sei explicar. É a verdade mais pura” que coisas insignificantes, pra alguns, podem nos trazer alegria em algumas horas. Com “o pensamento distante para evitar a dor, o olhar tão desbotado que já não distingue cor” estava eu, revirando meus CD’s, mergulhado na maldita saudade, até que então o encontrei. Meu primeiro disco (já sob os pós do tempo no fundo de minha estante), presente de não sei quem, virado em cacos, encarte aos rasgos e a mídia, quase furada, me lembrou de quantas, e tantas, vezes dormi, acordei, estudei e, até mesmo em silêncio, apreciei aquela maravilha, preciosidade única em meu quarto por muito tempo. Meus Titãs daquela época, “um amigo que virou amante”, e mais tarde, na minha vida, “uma onda que morreu na praia”. Esquecido, sinto muito, o Volume Dois me aguardou. A esperança de ser ouvido novamente. De minha nostalgia, sentindo falta de minha querida, trago estigmas, as dores na consciência de ter esquecido por tanto tempo este valoroso amigo, as lições de vida que ele me trouxe. Foi ele quem me trouxe até aqui. Ensinou-me o que é música, romântica, o amor, a política, as conquistas e as idéias “que se gastam com o passar do tempo”, mas estas paixões que este grande parceiro me proporcionou não se gastam. E minha nostalgia, que parecia eterna, encontrou o início de seu fim no meu horário de almoço. “entre outras pessoas é tão natural” disfarçar a saudade a todo o tempo, eu não consigo, e acompanhado desta, sentado na mesa do restaurante, concentrado nos grãos de arroz, uma surpresa agradável aconteceu. Seu perfume toma conta e meus ares nostálgicos se evadem, não por completo, nem pela metade, mas, junto ao fim de minha fome e a boa conversa entre nós, acalma meu corpo, sorri o meu rosto. “Toda cor me lembra os teus olhos” e ali estive em paz por algum tempo, apreciando o outro lado da mesa. Não consigo descobrir o que se passa naqueles pensamentos vagos, concretizados num sorriso suave, num semblante cansado, talvez de preocupação ou decepção por algo. “sabe que sorrir é bom. E quem não detesta sofrer à espera de quem sempre amou? Há sempre a pequena chance de o impossível rolar”, e mesmo o possível me traz dúvidas. Não vejo sinais, respostas. É simplesmente ela, e por mais que eu pergunte, minha clareza parece estar nas entrelinhas. Pensando bem, isso é o que sobrou de minha nostalgia. A saudade não acabou por completo, e talvez não acabe. Ela deve já saber o que eu penso e o que desejo. “e deixa ser o que for”. Sem mais nada a dizer “escrevo as últimas palavras, estendo a mão sem dar um beijo. Espelho meu desiste dessa cara, entrego a ela todos os segredos”.




Ouçam o CD se quiserem. Ele realmente me ensinou muita coisa, e aposto que pode ensinar a muitos também. Vale muito a pena ouvir. É um dos meus prediletos do Titãs, mesmo não tendo o Arnaldo Antunes. De qualquer maneira, ainda tem o Nando Reis, o Paulo Miklos e o Sérgio Britto. Letras ótimas e marcantes. Produzido pelo Liminha.


Um comentário:

Tamyres Palma Zimmer disse...

Orra, foda pra caralho seu texto. Ficou muito bom mesmo.

Como você tá, meu calouro inspirado?