As férias se foram e levaram em suas bagagens meu querido tédio e o tempo pra dormir, porém deixaram-me alguma ou outra lembrança, a preguiça por exemplo. Pensando bem, finalmente voltei a vida normal. Acordar cedo, sair com pressa pra ver meu ônibus passar por mim, chegar atrasado ao colégio e dormir durante as aulas, mas algo não mudou, e não mudará, assim espero, quem sabe esperamos: meus tão amados textos. Minhas escrituras, registros de minha vida, desabafos inúteis, brincadeiras com palavras ou brigas com as mesmas. Continuo aqui, desperdiçando meu tão precioso tempo com algo que o deixa ainda mais valioso, porém, sinto-me no dever de dizer-lhe que ocorreram algumas mudanças. O mundo está andando, girando talvez, mas temos certeza de que tal está evoluindo. Existe alguém aí de quem falam, não o conheço muito bem, mas sei que seu nome é globalização, ou algo parecido. Pra não ficar por fora e continuar atualizado em minha sociedade quis conhecer melhor esse cidadão. Fui ao centro de incitação ao consumo do sistema capitalista para comprar uma nova, e conseqüentemente mais moderna, máquina de escrever digital. Naquela prateleira cheia de produtos tão vigiados por olhos famintos de pessoas sem condição de possuí-los, assim como eu, um dos modelos em especial me chamou a atenção. Cheio de frescuras e portátil, carregava um nome que parecia daqueles estrangeiros, deve ser. Não é maior que um caderno e não mais grosso que um livro. Quando o abrimos é que começa a brincadeira. Ainda me bato por aqui, muita coisa mudou de uma máquina para outra. Os botões mudaram de lugar, as imagens mudaram de forma. É tudo questão de adaptação. Enquanto vocês vivem suas vidas voltarei correndo de minha aula para ter algumas aulas de atualização mundial e tecnológica.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
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